Moto G Edição Turbo: mais poder, menos custo-benefício

Edição turbinada do Moto G de 3ª geração tem processador octa-core Snapdragon 615 e 2 GB de RAM.
Melhoria no hardware vem acompanhada de aumento no preço, que sobe para R$ 1.289.

Boas melhorias de desempenho em relação ao modelo original.
Carregador rápido TurboPower incluso na caixa.
Design personalizável e resistente à poeira e água.

Contras
Câmera é apenas razoável em sua faixa de preço.
Muito caro para o que se propõe a fazer.

A terceira geração do Moto G não chegou de forma convencional. Além dos modelos com TV digital e quantidades de RAM diferentes, a Motorola trouxe ao mercado uma variante chamada Moto G Edição Turbo. Com processador octa-core Snapdragon 615 e 2 GB de RAM, ele é o smartphone intermediário que conhecemos, mas com hardware para satisfazer os exigentes.

Compensa comprar um Moto G Edição Turbo? Quais as mudanças em relação aos modelos com Snapdragon 410? O ganho de desempenho justifica o preço de 1.289 reais? Eu usei o lançamento da Motorola por uma semana como smartphone principal e você confere minhas impressões neste breve review.
Design

Por fora, o Moto G Edição Turbo é praticamente idêntico ao modelo convencional, a despeito da linha prateada discreta em torno dos alto-falantes frontais. Mas houve uma pequena mudança interna: para os desastrados, a edição turbinada possui certificação IP67, que torna o aparelho resistente à poeira e água, um avanço em relação ao IPX7 da versão mais básica, protegida apenas contra água.



As mesmas opções de personalização do Moto G de 3ª geração estão disponíveis para o Moto G Edição Turbo no Moto Maker: você pode escolher as cores da parte frontal, da traseira e da barrinha em volta da câmera traseira. Também é possível gravar uma mensagem personalizada na tampa da bateria e até uma mensagem de saudação, exibida na inicialização.

O único adicional não disponível para o Moto G Edição Turbo é a TV digital, que está presente apenas no modelo com 16 GB de armazenamento, 1 GB de RAM e processador Snapdragon 410, o que é uma pena. Na época do lançamento, a Motorola chegou a vender uma variante do Moto G com 2 GB de RAM, mas processador simples, que também não trazia a opção de TV digital.

A pegada é semelhante ao do Moto G de 2ª geração, mas levemente pior. Ele cresceu um pouquinho nas laterais e na espessura, além de estar poucos gramas mais pesado devido à nova bateria de 2.470 mAh. O logotipo da Motorola não serve mais como apoio do dedo indicador, porque está em uma posição mais centralizada na traseira do aparelho. É um retrocesso, mas a ergonomia continua razoável.
Tela, software e câmera

A ressalva é que, embora a câmera do Moto G Edição Turbo seja a mesma do Moto G de 3ª geração, ela não ganha a mesma nota porque há opções melhores em sua faixa de preço. Topos de linha da geração passada, como LG G3 e Xperia Z3 Compact, que são vendidos no varejo pelo mesmo valor, ou mesmo o Moto X Play, com preço um pouco mais alto, conseguem entregar fotos com definição bastante superior, cores mais equilibradas e alcance dinâmico mais amplo.
Hardware e bateria

O principal apelo do Moto G Edição Turbo é o hardware mais potente. Em vez do Snapdragon 410, comum nos smartphones intermediários, ele traz um processador octa-core Snapdragon 615, o mesmo que acompanha o Moto X Play. Ou quase isso: a frequência é levemente inferior, de 1,5 GHz, contra os 1,7 GHz no irmão maior, o que gera uma diferença imperceptível no uso diário.

Na prática, o Snapdragon 615 é um chip econômico, que conta com oito núcleos Cortex-A53 (quatro de 1,46 GHz e mais quatro de 1 GHz). Ele é basicamente um Snapdragon 410 em dobro. Isso significa que você terá um desempenho um pouquinho melhor em aplicativos que demandem mais processamento, mas ainda ficará bem atrás dos Snapdragon 8xx, que são realmente poderosos.

A GPU é uma Adreno 405, que se mostrou um pouco decepcionante no Moto X Play, mas não fez feio no Moto G Edição Turbo, provavelmente por causa da resolução menor, de 1280×720 pixels. Embora o desempenho bruto seja virtualmente o mesmo, a experiência nos jogos é superior: Dead Trigger 2 roda sem engasgos e com taxa de frames constante na qualidade alta.

A bateria dá conta do recado e rende de maneira semelhante ao Moto G com Snapdragon 410, ou seja, é bastante satisfatória e deverá aguentar até o final do dia para a maioria dos usuários.

No dia de testes com uso intenso de dados, tirei o Moto G da tomada às 11h20. Ouvi cerca de 2h30min de músicas por streaming no 4G (Deezer) e naveguei na internet por aproximadamente 1h50min, entre emails, redes sociais e páginas da web. A tela ficou ligada por 2h09min, com o brilho no automático. Às 22h59, o nível de carga ainda mostrava 34%.

A boa novidade é que a Motorola inclui um carregador mais potente, o TurboPower 15, que entrega até 12 volts em 1,2 A. Ele torna as recargas de bateria mais ágeis: fui capaz de elevar o Moto G Edição Turbo de 5% a 100% em menos de duas horas, o que é relativamente rápido para uma bateria de 2.470 mAh.
Conclusão

O Moto G Edição Turbo traz boas melhorias de hardware. Na verdade, ele tem o processador que o Moto G de 3ª geração deveria ter desde o lançamento, como escrevi na análise do modelo mais básico. O Snapdragon 410 também era usado no Moto E de 2ª geração, o modelo de entrada da Motorola, e fazia pouco sentido adotar o mesmo processador num smartphone que custa o dobro do preço.

No entanto, mesmo com o avanço no hardware, não faz muito sentido comprar um Moto G Edição Turbo. Custando R$ 1.289, ele é um bom smartphone, mas tem preço muito alto para o que entrega, inclusive em comparação com outros aparelhos da própria Motorola. O Moto G de 3ª geração já havia chegado mais caro que o esperado e sofreu alguns reajustes de preço durante sua vida, o que tornou o custo-benefício ainda pior.

Por R$ 1.399, ou seja, 110 reais a mais, o Moto X Play entrega uma câmera muito superior, uma bateria que aguentará muito mais tempo fora da tomada e uma tela de melhor qualidade, com brilho e definição mais altos. O irmão maior possui ainda uma versão com 32 GB de armazenamento, por R$ 1.489, que também se mostra significativamente mais atraente que o Moto G Edição Turbo.

Eu só vejo espaço para o Moto G Edição Turbo em um nicho específico: pessoas que fazem questão de um hardware minimamente potente, mas não gostam de telas grandes, como a do Moto X Play, de 5,5 polegadas. Mesmo assim, ainda há opções mais interessantes nessa faixa de preço, como o Xperia Z3 Compact, que frequentemente é encontrado por R$ 1,3 mil no varejo e tem processador Snapdragon 801 de 2,5 GHz.

É fato que a Motorola melhorou os componentes de seus smartphones, praticamente eliminando suas deficiências conhecidas, como a câmera. No entanto, os aparelhos da nova safra, especialmente na linha Moto G, estão mais caros do que deveriam. Se antes o Moto G era a compra certa em sua faixa de preço, hoje ele é apenas uma opção a mais. E frequentemente não é a melhor.

Quem sabe no Moto G de 4ª geração?

Especificações técnicas
Bateria: 2.470 mAh;
Câmera: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0;
Dimensões: 142,1 x 72,4 x 11,6 mm;
GPU: Adreno 405;
Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB;
Memória interna: 16 GB;
Memória RAM: 2 GB;
Peso: 155 gramas;
Plataforma: Android 5.1.1 (Lollipop);
Processador: octa-core Snapdragon 615 de 1,5 GHz
Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola;
Tela: LCD de 5 polegadas com resolução de 1280×720 pixels e proteção Gorilla Glass 3.

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