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Adeus iPhone, olá Android

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Apple está correndo atrás para provar que consegue ser tão eficiente quanto o Google, mas está atrasada


Meu celular morreu essa semana. Era um iPhone 6, próximo de fazer dois anos de idade. Já me habituei com o fato de que, para quem trabalha com tecnologia, o aparelho não dura mesmo muito. Tem de ser trocado, no máximo, de dois em dois anos. Não tive todos os modelos de iPhone, mas tive um de cada geração a partir do iPhone 3G. Foi ele, depois um 4, depois um 5, um 5s e, agora, esse 6. Estou com um aparelho antigo, provisório. Noutros tempos, provavelmente enrolaria para esperar o iPhone 7, no fim do ano. Mas, desta vez, não. Vou migrar para um aparelho Android.

Não é uma decisão fácil. Meu computador é um Macintosh, da Apple. Sempre foi, desde o primeiro modelo SE, comprado em 1989.

Isso não quer dizer que eu viva há trinta anos num mundo Applecêntrico. Sempre tive máquinas Windows próximas e as opero sem qualquer dificuldade. Vou do sistema de acentuação no teclado de uma plataforma para a outra sem piscar. Já brinquei o suficiente com Linux. Arranho escrever algum código. Acho testar tecnologias, antes de ser trabalho, principalmente divertido. Assim, acompanhei o desenvolvimento do sistema Android também de perto e, durante algumas semanas, todos esses anos, deixei o iPhone em casa e saí com inúmeros aparelhos sendo lançados para testá-los.

Muito lentamente, algo mudou. Me vi, mais e mais, sentindo falta no iPhone de um recurso aqui, de um jeito de usar ali. Ao me flagrar com saudades dos aparelhos que testei recentemente, comecei a prestar atenção em meu próprio uso. E percebi que, nos últimos dois anos, fui fazendo escolhas que iam me afastando da Apple. Não à toa. A Apple está ficando para trás na briga tecnológica.

A partir do retorno de Steve Jobs, em 1997, a estratégia da Apple esteve centrada em seu ecossistema. O iPod, por exemplo, não era só um aparelho de som. Por trás havia um programa elegante, o iTunes, para organizar seus discos. Depois veio a loja, que permitia a compra de músicas. Aí a Apple TV e uma loja de filmes e séries. Então o iPad tornou também o vídeo portátil e trouxe jornais, revistas e livros. Para quem se organizou com essas ferramentas, migrar de plataforma era jogar tudo fora. Mas sistemas como Spotify, Netflix e GloboPlay feriram de morte o ecossistema. A Apple, ao tentar reinventar seu iTunes no ano passado, desorganizou as bibliotecas de milhares. O incentivo para continuar na plataforma se perdeu.

Enquanto isso, o Google veio criando seu próprio ecossistema. De longe a melhor ferramenta para gerenciar todas as dezenas de fotografias diárias que tiramos é o Google Fotos. Gmail é o único correio eletrônico que permite buscar mensagens de anos antes. O sistema de agendas atrelado ao e-mail é inteligente e organizado. Seus mapas são imbatíveis. Tudo aquilo que precisamos no celular, em suma, funciona melhor no Google.

Estes apps existem no iPhone. Mas o assistente digital da empresa, Google Now, que analisa seu uso e antecipa suas necessidades de informação — a hora de sair de casa de acordo com o trânsito, a passagem aérea, o Uber chegando, a lista de músicas da corrida, o aviso de que choverá — é precário no iOS.

A Apple está correndo atrás e começa a apresentar seu investimento em inteligência artificial. Quer provar que consegue ser tão eficiente quanto o Google. Mas quem usa ambos sabe o quanto está atrasada. Nos últimos anos, investiu em imagem. Tornou-se uma marca que produz belas máquinas e que disfarça o fato de estarem defasadas com preço e publicidade que as torna símbolos de status.

Um Mac continua sendo o melhor, mais estável, mais bonito e mais fácil de usar computador do mercado. O iPhone, não. Não sei ainda qual será meu próximo celular. Mas será Android.

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