Nokia demitirá mais 10 mil


A reestruturação da Nokia não tem fim. Pela quarta vez em um ano e meio, a empresa anunciou uma nova leva de demissões: mais dez mil funcionários serão demitidos no mundo inteiro até o fim de 2013. Como parte do pacote, serão fechadas as unidades de pesquisa e desenvolvimento localizadas em Ulm, na Alemanha, e Burnaby, no Canadá, além da unidade manufatora de Salo, na Finlândia. No comunicado oficial não há nenhuma menção específica às atividades no Brasil.

O objetivo da empresa é reduzir para 3 bilhões de euros os custos anuais da divisão de terminais e serviços e voltar a ser lucrativa. Em 2010, essa área registrou despesas de 5,35 bilhões de euros. No segundo trimestre deste ano, a empresa comunicou que havia conseguido reduzir em 700 milhões de euros esses custos anuais. Para atingir a nova meta é necessário cortar aproximadamente mais 1,6 bilhão de euros em despesas anuais.

A Nokia realizará também mudanças em sua diretoria internacional. Novos executivos comandarão as vice-presidências de operações, vendas e marketing e "mobile phones" (nome que a Nokia dá para a área de feature phones, ou terminais de gamas baixa e média, como a linha Asha). Serão eles, respectivamente: Juha Putkiranta, Chris Weber  e Timo Toikkanen.

Localização

A Nokia listou como prioridades daqui em diante: aumentar o portfólio de smartphones da família Lumia, alargando sua faixa de preço; melhorar a competitividade e a lucratividade de sua área de mobile phones, seguindo com as linhas com sistema operacional Symbian das séries 30 e 40; e investir mais na área de serviços de localização, incluindo mapas e busca visual, como o "Nokia City Lens".

Ao mesmo tempo, a empresa anunciou a aquisição da sueca Scalado, uma companhia especializada em softwares de imagens. O valor não foi divulgado. Cabe lembrar que a área de imagens sempre foi um dos diferenciais positivos da Nokia em telefones celulares, vide o recente lançamento de um aparelho com câmera de 38 megapixels e a longeva parceria com as lentes Carl Zeiss.

Análise

Do ponto de vista de conteúdo móvel, o que mais chama a atenção no comunicado da Nokia é a priorização de serviços de localização. Esta é uma área ainda pouco explorada e que tem grande potencial para inovação, aproveitando o hardware dos telefones e sua capacidade de processamento cada vez maior. A chegada de processadores quadcore para telefones móveis e de redes de quarta geração (4G) torna possível a criação de serviços cada vez mais complexos de acesso a banco de dados de acordo com a localização do usuário. Aplicativos de realidade aumentada tendem a ficar mais precisos e gerar respostas mais rápidas e com conteúdos mais pesados (vídeos, por exemplo) para os usuários.

Outro ponto interessante que talvez passe despercebido por analistas financeiros, que tendem a focar apenas nos números: a Nokia informa que pretende levar seus produtos de localização para outras indústrias. Ou seja: pode estar surgindo uma nova área de atuação para a Nokia. Ou talvez mesmo uma nova Nokia. Para uma empresa centenária que já produziu galochas de borracha e foi uma geradora de energia antes de virar a maior fabricante de telefones celulares do mundo, tudo é possível.

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