America Net vai disputar segmento de celulares


Cláudio Belli/Valor / Cláudio Belli/Valor 
 
José Luiz Pelosini, vice-presidente da America Net: meta de longo prazo é oferecer serviço em países da Europa
A America Net, operadora de telefonia fixa e banda larga com 18 anos de operação no país, dá o seu primeiro passo na área de telefonia móvel. A companhia, vai oferecer a empresas e pessoas físicas uma linha com dois chips, que vai funcionar no Brasil e nos Estados Unidos. A empresa lança o serviço no Brasil e nos Estados Unidos hoje.
Cada linha terá um número de telefone americano e um número brasileiro. Se o usuário está nos Estados Unidos e deseja ligar para alguém no Brasil, usa o chip brasileiro e faz a ligação como se fosse um telefonema local. Para realizar ligações nos EUA, usa o chip americano. A diferença em relação aos serviços existentes no Brasil é que não há cobrança pela conexão entre países ("roaming"). A companhia conseguiu fechar acordos com operadoras para integrar as chamadas no destino final. O serviço é pago com cartão de crédito internacional.
Para tornar esse serviço possível, a companhia fez acordos nos EUA com as operadoras AT&T e T-Mobile. No Brasil, a America Net também tem acordos com operadoras locais para usar a rede dessas empresas e atuar como uma operadora móvel com rede virtual (MVNO, na sigla em inglês). O desenvolvimento do novo serviço demandou um investimento da companhia de US$ 5 milhões.
No Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), possuem autorização para atuar na área de telefonia móvel como operadoras virtuais as empresas Datora Telecom e Porto Seguro.
A Porto Seguro lançou o serviço no quarto trimestre de 2012 e fechou o ano passado com 101,1 mil usuários. A Datora começou a operar no primeiro trimestre de 2013 e possui 19,6 mil clientes. Além dessas companhias, a Virgin Mobile anunciou uma parceria com a Datora Telecom para implantar sua rede virtual no Brasil. E a operadora francesa Sisteer solicitou autorização à Anatel e aguarda aprovação para começar a operar no país.
José Luiz Pelosini, vice-presidente da America Net, disse que o serviço tem como alvo brasileiros que viajam para os Estados Unidos a trabalho ou turismo e residentes nos EUA que queiram se comunicar com frequência com pessoas no Brasil. Por ano, 1,8 milhão de brasileiros viajam para os Estados Unidos e esse seria o mercado potencial para a companhia, disse o executivo. "Inicialmente o serviço será oferecido nos Estados Unidos, mas o plano é expandir essa operação em 2015 para países da Europa, começando por Portugal, Espanha e Londres", afirmou Pelosini.
A America Net tem como meta atingir no primeiro ano de operação pelo menos 100 mil assinantes do serviço, e ampliar esse número para 500 mil no prazo de três anos.
Se alcançar esse resultado, a companhia vai ampliar em muito a sua carteira de clientes, atualmente concentrada no mercado empresarial brasileiro. A operadora possui uma carteira de 2 mil empresas e 56 mil linhas de telefonia fixa e banda larga. A America Net atua nas regiões de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, além de Campinas, São José do Rio Preto e Santos (no interior e litoral de SP).
A companhia chegou a anunciar no ano passado que daria início à oferta de serviços de telefonia fixa e banda larga para o segmento residencial, mas adiou o projeto, devido às condições do mercado, disse Pelosini. "O mercado residencial ainda está nos planos, mas vamos fazer um projeto no segundo semestre deste ano", afirmou o executivo.
Para oferecer os serviços de banda larga e telefonia, a companhia possui uma rede de fibras ópticas de 3 mil quilômetros de extensão. No ano passado, a America Net investiu R$ 25 milhões em redes e, este ano, vai investir mais R$ 18 milhões na melhoria da sua infraestrutura. A companhia não divulga dados de receita e lucro. Pelosini disse apenas que a companhia registrou no ano passado um crescimento de 91% na receita.
O mercado de telefonia fixa tem apresentado queda nos últimos anos, mas, de acordo com dados da consultoria Frost & Sullivan, o segmento de telefonia fixa para pequenas e médias empresas é o único que cresce.
O mercado empresarial responde por 31,5% do total de linhas fixas em uso no Brasil, ou 14,7 milhões de assinaturas. Esse mercado é atendido por grandes operadoras, como Telefônica, Oi e Embratel, e por operadoras especializadas no atendimento empresarial, como British Telecom. Recentemente, empresas de menor porte, como a America Net, também têm investido na área.

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