EUA não deixam Sprint fundir-se à T-Mobile

Resultado de imagem para Sprint T-MobileMasayoshi Son, o bilionário japonês, dono da Sprint, não costuma desistir facilmente: ou fará nova oferta pela T-Mobile ou expande a Sprint organicamente

A Deutsche Telekom tem mais uma vez bons motivos para amaldiçoar um órgão regulador americano determinado a assegurar que o país conte com pelo menos quatro operadoras de telefonia móvel.

Mas desta vez, o grupo alemão não está sozinho em sua fúria. Masayoshi Son, o bilionário japonês que não está acostumado a ser derrotado em embates com os reguladores, responsabilizou os órgãos antitruste americanos de frustrar seu plano de fundir a Sprint, adquirida há um ano pelo seu grupo SoftBank, com a T-Mobile US, da Deutsche Telekom.

A situação é semelhante à de três anos atrás, quando a Deutsche Telekom não pôde transferir sua participação majoritária na T-Mobile US para a AT&T. Mas pessoas próximas ao modo de pensar da empresa alemã disseram que muita coisa mudou desde então. A T-Mobile é agora uma empresa em processo de renascimento que abocanha fatia de mercado das concorrentes oferecendo produtos de baixo preço sob a liderança de John Legere.

Há três anos, Deutsche Telekom não pôde transferir sua participação majoritária na T-Mobile US à AT&T

Com a T-Mobile em muito melhor forma do que quando a AT&T a largou no altar, "não há pressão para vender - uma estratégia independente tem de ser levada em consideração juntamente com todas as outras opções", disse pessoa informada sobre os planos da empresa. Analistas tendem a concordar. Os do JP Morgan, por exemplo, preveem que os lucros da T-Mobile praticamente duplicarão até 2020.

Tom Wheeler, presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC, nas iniciais em inglês) e opositor declarado à fusão Sprint/T-Mobile, também comemorou a manutenção do status quo.

"Quatro provedoras sem fio nacionais está bom para o os consumidores americanos", disse ele. "A Sprint tem agora uma oportunidade de centrar seus esforços na competição acirrada."

Mesmo assim, continuará alta a probabilidade de que algum negócio seja fechado no mercado americano de telecomunicações enquanto persistirem interrogações sobre a possibilidade de a T-Mobile, a Sprint e a empresa de TV por satélite Dish, de Charlie Ergen, outra parceira potencial, conseguirem prosperar.

Michael Rollins, analista do Citi, disse que, sem uma fusão com a T-Mobile, a Sprint demorará mais para recuperar seus resultados, apontando para a incerteza sobre sua estratégia competitiva. A Sprint nomeou nesta semana Marcelo Claure para o cargo de CEO, em substituição a Dan Hesse, que comanda a empresa desde 2007.

Em Tóquio, os investidores reduziram os preços das ações do SoftBank. A retração se seguiu à queda vertical de 16% registrada pela Sprint nas transações pós-pregão da terça-feira [ontem o papel caiu 3% em Nova York], um reflexo da queda das perspectivas da empresa americana, agora que parece permanecer como a distante terceira maior de seu mercado, atrás da Verizon e da AT&T.

A T-Mobile, diz Rollins, terá de encarar "o verdadeiro custo de sua agressiva campanha de marketing para aumentar o número de clientes". A T-Mobile também terá de arcar com o custo de adquirir mais faixas de frequência e de investir em sua rede, numa época em que a Deutsche quer se concentrar nas subsidiárias europeias. O grupo alemão, cujas ações caíram ontem 0,9%, para € 11,43, ainda tem opções, mesmo sem a oferta da Sprint.

A oferta da francesa Iliad, de Xavier Niel, de US$ 33 por ação, continua aberta, apesar de haver dúvidas sobre como Niel poderá obter US$ 10 bilhões em sinergias da T-Mobile. A dinâmica do negócio, cuja rejeição estava definida pela T-Mobile antes da decisão da Sprint de se retirar, mudou em favor do bilionário francês.

A aventada oferta melhorada a ser apresentada pelo grupo - com ou sem a ajuda de seus sócios nos EUA - poderia ser um fator decisivo na mudança do resultado.

O analista Hannes Wittig, do JP Morgan, disse que a retirada do SoftBank fortalece a posição de negociação de Iliad, "embora a Deutsche Telekom provavelmente queira mais do que Iliad ofereceu".

As maiores interrogações continuam a dizer respeito à Sprint no curto prazo. Ela perdeu 245 mil contratos de usuários no último trimestre, enquanto a T-Mobile incorporou 1 milhão deles.

Após deixar vazar notícias da capitulação na noite de terça-feira, Son agora se defronta com duas alternativas na sua tentativa de transformar a Sprint numa participante de primeira linha no mercado americano de telefonia móvel.

Ele poderá fazer uma nova tentativa de aquisição, da T-Mobile ou de outra empresa, ou expandir a Sprint organicamente, usando a agressiva tática de fixação de preços que transformou o SoftBank numa potência da telefonia móvel no Japão. De qualquer forma, a perda da T-Mobile é um revés para a tantas vezes declarada ambição de Son de transformar o grupo SoftBank "na empresa número 1 do mundo".

Son não desiste facilmente. Mais de uma vez ele entrou em conflito com o Ministério das Comunicações do Japão - e há insinuações de que ele ainda possa nutrir esperanças de adquirir a T-Mobile.

"O ambiente, com certeza, vai mudar", disse um executivo não identificado do SoftBank à Reuters, referindo-se à oposição dos reguladores e políticos americanos ao pretendido negócio.

Poucos analistas, no entanto, compartilham dessa opinião. Eles preveem, em vez disso, que as líderes do mercado AT&T e Verizon voltarão a se abrigar no status quo

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