Sim, novos Nokia vêm para o Brasil


Empresa que assumiu direitos da marca promete aparelhos ainda este ano. Sistema Android sem modificações é um dos trunfos


Em algum momento deste ano, os consumidores brasileiros voltarão a encontrar aparelhos Nokia nas lojas. O reencontro — que já está acontecendo em grande escala na China — ainda não tem data certa, mas foi garantido por Arto Nummela, CEO da hmd., a empresa que detém atualmente os direitos da marca Nokia para celulares. O executivo, que trabalhou na antiga Nokia durante 20 anos e foi seu vice-presidente para América Latina entre 2009 e 2013, já esteve incontáveis vezes no Brasil, conhece bem o nosso mercado e está ansioso para trazer os novos Nokia para cá: afinal, a empresa foi campeã absoluta de vendas no país, e a sua marca ainda tem um enorme apelo emocional por aqui. Uma equipe local já está sendo montada.

Consegui conversar com Arto Nummela praticamente ao final do MWC, o grande evento de tecnologia móvel realizado semana passada em Barcelona, na Espanha. Ele foi uma das pessoas mais requisitadas por jornalistas durante o evento. Todo mundo queria saber quais são os planos da Nokia, como estão indo as primeiras vendas, que cartas ela traz escondidas na manga. O lounge que a hmd. montou na área de trás do gigantesco estande da Nokia era pequeno para tanto movimento.

— Nosso principal trunfo, além da qualidade do hardware, é o Android puro — disse ele. — Fazemos questão de oferecer a interface mais limpa possível, e a melhor experiência Android. Teremos updates de segurança mensais e faremos o upgrade do sistema automaticamente: assim que a Google lançar uma nova versão, ela chegará aos nossos aparelhos.

Arto Nummela acredita que a Nokia pode ajudar a Google a ir além dos 86% que detém no mercado mundial de sistemas móveis. Grandes fabricantes como Samsung, LG ou Asus insistem em modificar o Android, acrescentando as suas próprias interfaces e aplicativos — mas há um número ponderável de usuários que odeiam isso. Celebrando o compromisso de não alterar a interface, a Nokia distribuiu no MWC um pin do robozinho Android pelado, segurando um antigo Nokia na mão, e espetado numa cartela impressa com uma espécie de carta de intenções.

"Esse camaradinha é um símbolo de pureza, para representar a experiência do Android puro nos Nokia", diz a cartela. "Livre de tralhas, lixo e apps que você não usa. Puro prazer."

Os pins foram, claro, disputadíssimos: uma das tradições do MWC é a distribuição de pins do robozinho em diversas situações e trajes, e o desafio de muitos participantes do congresso é completar a coleção anual.

Outros trunfos da nova Nokia são as parcerias com a FIH, subsidiária da Foxconn que comprou a divisão de feature phones da Microsoft e que pode garantir a qualidade da manufatura dos aparelhos e a sua fabricação em larga escala, e com a Qualcomm, que faz os chipsets dos aparelhos, e com quem a hmd. mantém a mesma estreita aliança que mantém com a Google.

Mas o maior trunfo de todos é, obviamente, o nome Nokia. Arto Nummela e os outros executivos da hmd., em sua maioria finlandeses e ex-funcionários da Nokia, parecem saber disso. Os aparelhos Android apresentados no MWC são bonitos, eficientes e muito bem feitos. E, para que ninguém tenha dúvidas de que a nova Nokia é Nokia raiz, o velho 3110, que vendeu 126 milhões de unidades nos velhos tempos, foi apresentado em uma nova encarnação. Destinada a mercados onde 3G e 4G não passam de sonho, humilde e barata, mas com bateria de longa duração, jogo da cobrinha e Nokia tune.



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